Minha querida BCN
Cheguei com duas malas e um monte de sonhos na cabeça,
pronta para estudar e louca de vontade de aprender a me comunicar, viver a
cidade e a experiência de estar lá. Erámos em nove, quatro meninas e cinco
meninos, com o desafio de lidar com situações inusitadas, novos lugares, novas
vidas. Pisar no velho mundo (novíssimo para mim) era uma surpresa a cada
instante, poder ver como as coisas funcionam de forma integrada e pontuais, ver
que realmente acontecem e em tempo real é fascinante, principalmente para nós
brasileiros que infelizmente aprendemos a tolerar e “aceitar” que podemos
esperar horas em um ponto de ônibus, por exemplo.
Esta cidade encantadora, onde os lugares estão repletos de
obras arquitetônicas no maior e melhor estilo do arquiteto catalão Gaudí, ou
seria engenheiro? Confesso que depois de
visitar a Sagrada Família fiquei na dúvida. Mas o incrível é que sem perder a
modernidade e o aspecto de cidade com porte para ser capital de um país (grande
sonho Catalão) a cidade vive uma rotina onde é possível mesclar a vida agitada
dos jovens com a tranquilidade de envelhecer bem.
La Rambla
La Sagrada Família
O engraçado é que a avalanche de novidades é tanta que às
vezes a gente custa a perceber o que está se passando a nossa volta, mas quando
nota, você começa a sentir que está vivendo na Espanha, especialmente em
Barcelona quando:
- Anda pelas ruas e ver aquela multidão de turistas se
tornar o “pão de cada dia”;
- Seu senso estético começa a ser influenciado por um mix
de estilos e acha aquele corte de cabelo
“a la catalão” o mais normal do
mundo;
- Amigos te chamam para comer uma paella ao invés de pizza;
- Usa as pernas para se locomover mais do que qualquer
outro meio de transporte;
- Seu professor dar aula em espanhol, mas responde a uma
pergunta de um aluno em catalão e como se não bastasse termina se referindo a
turma indagando: seguro?
- Fica fascinado com a quantidade de atividade cultural que
acontece na cidade e fica feliz de ver Picasso
e Miró de graça nos eventos aberto ao público;
- Comemora o dia de São João ( San Joan) como se fosse ano
novo;
- Comemora o dia de San Jordi (São Jorge) sendo
surpreendido com tantos livros e flores
pelas ruas da cidade e fica feliz por ganhar uma rosa ou um livro de algum
amigo;
- Começa a conhecer gente de tudo que é lugar e normalmente
vai à festas nas quais encontra com literalmente meio mundo de etnias e todos
se esforçam em comunicar-se.
- (...).
De todas as experiências neste período de seis meses, a
mais importante de todas foi conviver com pessoas incríveis e poder ver o mundo
através dos olhos delas, onde a cada dia que passava aprendia um pouco da vida
e da história de cada uma, sempre me mostrando um jeito diferente e
surpreendente de lidar com as situações do dia a dia e assim me fazendo
perceber que esse mundo tão grande é logo ali.
Chicos y Chicas
por Danúbia Teixeira Silva.



Feliz um ano para todos nós. Belíssimo texto.
ResponderExcluirNícolas souto.