quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013



Minha querida BCN

Cheguei com duas malas e um monte de sonhos na cabeça, pronta para estudar e louca de vontade de aprender a me comunicar, viver a cidade e a experiência de estar lá. Erámos em nove, quatro meninas e cinco meninos, com o desafio de lidar com situações inusitadas, novos lugares, novas vidas. Pisar no velho mundo (novíssimo para mim) era uma surpresa a cada instante, poder ver como as coisas funcionam de forma integrada e pontuais, ver que realmente acontecem e em tempo real é fascinante, principalmente para nós brasileiros que infelizmente aprendemos a tolerar e “aceitar” que podemos esperar horas em um ponto de ônibus, por exemplo.
Esta cidade encantadora, onde os lugares estão repletos de obras arquitetônicas no maior e melhor estilo do arquiteto catalão Gaudí, ou seria engenheiro?  Confesso que depois de visitar a Sagrada Família fiquei na dúvida. Mas o incrível é que sem perder a modernidade e o aspecto de cidade com porte para ser capital de um país (grande sonho Catalão) a cidade vive uma rotina onde é possível mesclar a vida agitada dos jovens com a tranquilidade de envelhecer bem.

La Rambla


La Sagrada Família

O engraçado é que a avalanche de novidades é tanta que às vezes a gente custa a perceber o que está se passando a nossa volta, mas quando nota, você começa a sentir que está vivendo na Espanha, especialmente em Barcelona quando:

- Anda pelas ruas e ver aquela multidão de turistas se tornar o “pão de cada dia”;
- Seu senso estético começa a ser influenciado por um mix de estilos e acha aquele corte de cabelo  “a la catalão”  o mais normal do mundo;
- Amigos te chamam para comer uma paella ao invés de pizza;
- Usa as pernas para se locomover mais do que qualquer outro meio de transporte;
- Seu professor dar aula em espanhol, mas responde a uma pergunta de um aluno em catalão e como se não bastasse termina se referindo a turma indagando: seguro?
- Fica fascinado com a quantidade de atividade cultural que acontece na cidade e fica feliz de ver Picasso  e Miró de graça nos eventos aberto ao público;
- Comemora o dia de São João ( San Joan) como se fosse ano novo;
- Comemora o dia de San Jordi (São Jorge) sendo surpreendido  com tantos livros e flores pelas ruas da cidade e fica feliz por ganhar uma rosa ou um livro de algum amigo;
- Começa a conhecer gente de tudo que é lugar e normalmente vai à festas nas quais encontra com literalmente meio mundo de etnias e todos se esforçam em comunicar-se.
- (...).

Paella


De todas as experiências neste período de seis meses, a mais importante de todas foi conviver com pessoas incríveis e poder ver o mundo através dos olhos delas, onde a cada dia que passava aprendia um pouco da vida e da história de cada uma, sempre me mostrando um jeito diferente e surpreendente de lidar com as situações do dia a dia e assim me fazendo perceber que esse mundo tão grande é logo ali.


Chicos y Chicas


por Danúbia Teixeira Silva.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Uma cidade, 'dois' países e duas culturas.


Bandeira da Catalunha.


Cultura. Um dos maiores conhecimentos adquiridos em um intercâmbio, conhecer uma nova cultura, novas pessoas. Quando fui bolsista do programa ciências sem fronteiras entre fevereiro e julho deste ano, morei na cidade de Barcelona, para nós, na Espanha, para muitos, Catalunha (Catalunya em bom catalão. Sim! Eles possuem idioma próprio). Para mim, talvez, para quase todos de Maceió, uma coisa inimaginável, uma cidade com dois idiomas, dois? Três, ainda tem o inglês, não oficial, porém o potencial turístico de Barcelona leva a isso. É quase impossível ler qualquer tipo de aviso que não esteja nos três idiomas, desde um aviso na descarga de um banheiro, passando pelo metrô, até o slide do professor de geologia aplicada, esse último falava 8 idiomas (não falava português). Outro dia lá estava eu, entrando na sants estación, umas das estações mais importantes da Espanha, quando um mendigo pergunta para uma senhora, 'Do you speak english?'. No metrô as coisas são ainda mais complicadas, uma verdadeira torre de babel, a quantidade de turistas é absurda, cada um falando um idioma diferente e ninguém entendendo absolutamente nada. Enfim, voltemos ao fator da Catalunha como país, foi bom entender o motivo que leva muitos deles a querer isso, primeiro, eles, de fato, são diferentes dos espanhóis, são pessoas mais recatadas, fechadas, digamos que mais educadas, é quase impossível escutar um deles falando alto na rua, eles possuem também tradições próprias, um idioma próprio, independência financeira, etc. Eles são de fato um país dentro de outro, porém,  qual o motivo para eles não conseguirem a independência?  A Espanha depende muito da Catalunha e nunca permitirá isso, a crise financeira que tanto se fala não chegou a Catalunha. Para piorar ainda mais a situação, eles se sentem explorados, e com razão, muitos impostos só existem na Catalunha, pedágio só eles pagam, eles reclamam que apenas uma pequena parte desses recursos voltam para a região. Uma senhora de uns 80 anos (para ela Romário foi o melhor jogador do Barcelona) me relatou que quando era criança era proibida de falar catalão na rua, não se podia ensinar nas escolas o idioma materno deles. Ao meu ver, a independência, no geral, não é a melhor coisa, porém, para a Catalunha seria sem dúvida, tornariam-se verdadeiramente livres. O nível de patriotismo deles chega ao ponto de se ouvir: 'Meu pai é catalão, e minha mãe é espanhola'. Contarei uma história louca porém muito curiosa, certo dia, conversando com um rapaz da universidade, cuja mãe nascera em Barcelona e o pai em Madrid, sendo que ambos falavam os dois idiomas perfeitamente. Quando esse rapaz queria falar com o pai, ele falava em espanhol, já  com sua mãe conversava em catalão, isso é louco? E como os pais conversavam entre si? Segundo ele seu pai sempre fala em espanhol e sua mãe sempre responde em catalão, e assim segue o diálogo em dois idiomas. Como disse no começo uma coisa inimaginável, porém, podem acreditar, existe.


Bandeira indepedentista.


Por Nícolas Alves de Oliveira Souto.