sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Uma cidade, 'dois' países e duas culturas.


Bandeira da Catalunha.


Cultura. Um dos maiores conhecimentos adquiridos em um intercâmbio, conhecer uma nova cultura, novas pessoas. Quando fui bolsista do programa ciências sem fronteiras entre fevereiro e julho deste ano, morei na cidade de Barcelona, para nós, na Espanha, para muitos, Catalunha (Catalunya em bom catalão. Sim! Eles possuem idioma próprio). Para mim, talvez, para quase todos de Maceió, uma coisa inimaginável, uma cidade com dois idiomas, dois? Três, ainda tem o inglês, não oficial, porém o potencial turístico de Barcelona leva a isso. É quase impossível ler qualquer tipo de aviso que não esteja nos três idiomas, desde um aviso na descarga de um banheiro, passando pelo metrô, até o slide do professor de geologia aplicada, esse último falava 8 idiomas (não falava português). Outro dia lá estava eu, entrando na sants estación, umas das estações mais importantes da Espanha, quando um mendigo pergunta para uma senhora, 'Do you speak english?'. No metrô as coisas são ainda mais complicadas, uma verdadeira torre de babel, a quantidade de turistas é absurda, cada um falando um idioma diferente e ninguém entendendo absolutamente nada. Enfim, voltemos ao fator da Catalunha como país, foi bom entender o motivo que leva muitos deles a querer isso, primeiro, eles, de fato, são diferentes dos espanhóis, são pessoas mais recatadas, fechadas, digamos que mais educadas, é quase impossível escutar um deles falando alto na rua, eles possuem também tradições próprias, um idioma próprio, independência financeira, etc. Eles são de fato um país dentro de outro, porém,  qual o motivo para eles não conseguirem a independência?  A Espanha depende muito da Catalunha e nunca permitirá isso, a crise financeira que tanto se fala não chegou a Catalunha. Para piorar ainda mais a situação, eles se sentem explorados, e com razão, muitos impostos só existem na Catalunha, pedágio só eles pagam, eles reclamam que apenas uma pequena parte desses recursos voltam para a região. Uma senhora de uns 80 anos (para ela Romário foi o melhor jogador do Barcelona) me relatou que quando era criança era proibida de falar catalão na rua, não se podia ensinar nas escolas o idioma materno deles. Ao meu ver, a independência, no geral, não é a melhor coisa, porém, para a Catalunha seria sem dúvida, tornariam-se verdadeiramente livres. O nível de patriotismo deles chega ao ponto de se ouvir: 'Meu pai é catalão, e minha mãe é espanhola'. Contarei uma história louca porém muito curiosa, certo dia, conversando com um rapaz da universidade, cuja mãe nascera em Barcelona e o pai em Madrid, sendo que ambos falavam os dois idiomas perfeitamente. Quando esse rapaz queria falar com o pai, ele falava em espanhol, já  com sua mãe conversava em catalão, isso é louco? E como os pais conversavam entre si? Segundo ele seu pai sempre fala em espanhol e sua mãe sempre responde em catalão, e assim segue o diálogo em dois idiomas. Como disse no começo uma coisa inimaginável, porém, podem acreditar, existe.


Bandeira indepedentista.


Por Nícolas Alves de Oliveira Souto.



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